Já há muito que gostava de escrever um
"artigo" dedicado em exclusivo aos nossos amigos robalos, mas
dirigindo a sua pesca exclusivamente a águas salobras/interiores, ou seja, no
Rio Mira, especificamente na Zona Ribeirinha de Odemira.
I - Rio Mira
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O
Rio
Mira nasce na Serra do Caldeirão, a uma altitude de 470 m, e percorre cerca
de 145 km até desaguar em Vila Nova de Milfontes. É dos poucos rios da Europa
que corre de Sul para Norte, tal como o rio Sado. É navegável desde a foz até
um pouco acima de Odemira, embora a partir da zona de Odemira seja impossível
navegar de barco na maré vazia devido aos inúmeros bancos de sedimentos que se
encontram.
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Desde que me lembro, tenho assistido a um
assoreamento "gigantesco"
na zona ribeirinha em Odemira. Onde outrora, neste rio que servia como via de
transporte de bens, grandes barcos aportavam no cais (em Odemira), hoje
torna-se impossível. Para quem conhece a zona ribeirinha de Odemira, pode
verificar à maré vazia duas "ilhas", uma a montante do cais outra a
jusante (isto para além das formadas a montante).
As margens do Rio Mira são de difícil acesso. Não
falando em acessos viários, podemos dividir a composição das margens em duas
metades: 1.º A montante da "Comporta", onde desagua a Ribeira do Vale
de Gomes, as margens são compostas na sua maioria por caniços. 2.º A jusante da
"Comporta" as margens já são "mais limpas" de caniços,
sendo basicamente
sapais. De referir
que noutros tempos as margens do Rio Mira eram cultivadas na sua maioria pela
lavra do arroz.
II - Espécies piscicolas
Podemos encontrar em quase todo o Mira quase
todas as espécies piscicolas marinhas e também algumas mais incomuns, ditas de
água doce. Passo a enumerar as mais comummente encontradas: Dourada, Sargo,
Safia, Sargo-veado, Charroco, Corvina (sazonal), Salema, Robalo, Vária/Baila,
Tainha Salmonete, Linguado, Solha, Enguia, Safio, Carpa e ocasionalmente lá
poderemos encontrar o Barbo ou até mesmo o achigã (como eu já vi em Odemira).
No passado ano de 2014 já começaram a aparecer os chamados
alburnetes/alburnos/abletes.
Claro está que algumas espécies não "sobem" tanto o rio quanto outras,
sendo que em Odemira o que mais comummente encontramos são as tainhas, robalos,
carpas e enguias. Ocasionalmente podemos deparar-nos com a captura de um barbo,
dourada, pequenos sargos e safias ou linguado/solha.
III - O robalo e o Mira

Os robalos são assíduos no Mira todo o ano,
embora os seus tamanhos possam variar consoante a época em que estamos,
salinidade e comida disponível. Em Odemira, verificamos que a sua presença é
periódica. Passo a enumerar os factores mais comuns explicando dentro de cada
um o porquê da sua presença/ausência.
1.º Salinidade - O robalo é peixe de água
salgada, logo e teoricamente não sobreviverá em águas doces. Quando encontramos
a "água doce"? Em épocas de pluviosidade intensa. Nestas alturas, em
que chove muito, é difícil encontrar robalos de "grande porte",
por Odemira, embora hajam relatos de capturas ocasionais. Embora nestas alturas
de chuvas mais intensas que escurecem as águas tornando-as barrentas, por vezes
"podemos" realizar grandes quantidades de capturas de juvenis. Ainda
por estes dias vi, com as águas barrentas, grandes ataques de pequenos robalos
à superficie.
2.º Comida - Devido ao seu comportamento de
predador, será normal encontrá-los em busca da referida. Basicamente os robalos
no Mira, nomeadamente em Odemira alimenta-se de pequenos peixes
«tainhas/robalos», tainhas «é comum encontra-los junto aos cardumes», camarão
«é o preferido do nosso predador, marcam a sua presença mais abundante entre
Julho e Setembro onde á noite é comum observar os seus ataques» e crustáceos
«os lagostins, pela sua abundância, são os eleitos»
3.º Desova - Os robalos desde sempre gostaram de
desovar no Rio Mira, entre os meses de Dezembro e Março (se as águas forem
claras) começam a verificar-se avistamentos na Zona Ribeirinha de Odemira.
Estes têm por tendência ir desovar perto da Ribeira do Mira, a montante da
ponte de Odemira. Nesta altura vemos grandes exemplares aqui na zona, sendo que
de vez enquando realizam-se umas belas capturas.
4.º Temperaturas das águas - Este talvez seja o
ponto que eu considero mais importante. Talvez porque quanto mais quentes estão
as águas, mais alimento está disponível -principalmente camarão- mais activos
estão os robalos.
5.º Locais - Ao longo da minha vida enquanto
pescador tenho apostado em diversos locais em função do tipo de pesca que
pratico. Antes de praticar spinning apostava na pesca de fundo, procurando os
nossos amigos nos fundões ou então procurava-os junto aos cardumes de tainhas
onde pescava à boia. Em ambas as pescas obtive bons resultados, embora na pesca
de fundo os exemplares capturados sejam juvenis. Posso dizer que aqui é o
meu crescimento pessoal enquanto pescador, pois abandonei esta pesca de fundo
pelo facto de serem maioritariamente os robalos juvenis capturados. Hoje em dia
apenas me dedico ao spinning procurando exemplares acima da medida.


Os melhores resultados que obtive foram à bóia e
principalmente ao spinning. Na técnica de bóia bastava “estar de olho” nas
tainhas. Estas juntavam-se me torno dos esgotos que corriam para o rio antes de
existirem as obras de requalificação da Vila de Odemira, e quase sempre, assim
que os robalos chegavam procuravam esta comida fácil. Cheguei a fazer
aproximadamente 20 kg de robalos (exemplares entre as 700 gr e os 2 kg) em dois
dias com minhoca do lodo e pescando à bóia nesta altura em que eles aportavam
junto das tainhas. Actualmente, uma vez dedicado ao spinning, procuro as ilhas
e as margens. Basicamente são ou sítios de passagem ou sítios onde os pequenos
peixes e/ou camarão acolhem, sendo de fácil captura para os predadores. No ano
de 2013 foi o ano em mais robalos vi no Rio Mira e onde realizei algumas
capturas engraçadas ao spinning. Neste ano, os robalos procuravam os pequenos
peixes nas margens, sendo frequente ver enormes ataques em cardume. Cheguei a
contar 14 exemplares juntos (onde consegui capturar apenas um – aproximadamente
1,5kg) a "bater" as margens. O máximo que capturei nesta altura foram
quase 6 kg em 4 exemplares e 2 canas partidas eheheheh 2013 foi sem dúvida o
meu melhor ano no Rio Mira com troféus muito bons e o meu maior troféu 6,200 kg.

Espero que gostem da minha opinião sobre os
nossos amigos. Mas este "artigo" é apenas isso, a minha opinião. Há
sempre quem concorde, quem discorde e quem acrescente mais uns pontos...
Portanto meus amigos, estejam abertos a comentar à vontade pois a vossa
opinião, os vossos conhecimentos são sempre úteis.
Um bem haja,